IGP-M Desacelera para 0,84% em Maio com Forte Alívio no Atacado e Combustíveis
Índice Geral de Preços arrefece de forma expressiva após registrar 2,73% em abril, influenciado diretamente pelas altas menos intensas nos preços ao produtor, ao consumidor e no custo da construção civil.
O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), balizador clássico dos contratos de locação imobiliária e taxas estruturais de longo prazo no Brasil, registrou avanço de 0,84% em maio de 2026. O dado consolida um recuo agudo e expressivo quando comparado ao mês de abril, período em que o indicador havia disparado 2,73%. Com a apuração deste fechamento mensal, o índice calculated pela Fundação Getulio Vargas (FGV) passa a acumular uma alta de 3,79% no ano corrente e um acréscimo acumulado de 1,95% no intervalo dos últimos 12 meses.
De acordo com as notas divulgadas pelo Instituto Brasileiro de Economia (FGV IBRE), a forte desaceleração verificada na transição mensal reflete a perda de fôlego nos três principais eixos que compõem a matriz de cálculo do índice geral (IPA, IPC e INCC). Em termos de comparação histórica, vale pontuar que no mesmo mês de maio do ano anterior (2025), o IGP-M havia apresentado deflação marginal de 0,49%, época em que acumulava uma alta líquida de 7,02% em 12 meses.
O Impacto do IGP-M no Bolso: Aluguéis e Contratos Reajustados
Para o consumidor comum e inquilinos de imóveis comerciais ou residenciais cujos contratos ainda são indexados pelo IGP-M, a desaceleração para 0,84% em maio traz um alívio tangível. Após o pico verificado no mês anterior, o fechamento atual impede uma escalada agressiva nos boletos de locação, permitindo uma previsibilidade orçamentária maior para famílias e microempresas no fechamento do semestre.
Como a Desaceleração Afeta os Investimentos na B3 (FIIs)
No ambiente da renda variável brasileira, os investidores de Fundos Imobiliários (FIIs), especialmente os "Fundos de Papel" que carregam Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) atrelados ao IGP-M, devem observar uma acomodação na distribuição de dividendos nos próximos meses. Embora o índice continue em patamar positivo no acumulado do ano, o ritmo mais lento reduz o ganho nominal imediato dessas carteiras, forçando o mercado a recalibrar os prêmios de risco exigidos nos papéis de crédito privado.
“A menor intensidade do IGP-M em maio foi influenciada pela relativa estabilidade dos preços do petróleo no mercado internacional, que não provocou choques adicionais relevantes nas cadeias produtivas. Esse movimento ajudou a reduzir a pressão sobre os preços ao produtor: o IPA subiu 0,91%, bem abaixo da alta de 3,48% registrada em abril. Parte dessa desaceleração veio do grupo de matérias-primas brutas, tanto minerais quanto agropecuárias. No âmbito dos preços ao consumidor, a alta mais moderada também refletiu a queda dos combustíveis e de alguns alimentos, com destaque para o café em pó, que recuou quase 3% no período.”
Matheus Dias, Economista do FGV IBREAnálise do Atacado: IPA Sobe 0,91% mas Registra Forte Recuo Relativo
O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) subiu 0,91% em maio. No entanto, o avanço representou uma expressiva desaceleração contra a variação de 3,49% anotada em abril. Nos estágios de processamento, o grupo de Bens Finais marcou alta de 1,10% em maio, acelerando sobre o mês anterior (0,90%). O índice de Bens Finais (ex), excluindo alimentos in natura e combustíveis, arrefeceu de 0,78% para 0,57%. O grupo de Bens Intermediários registrou variação de 1,43% em maio, desacelerando ante os 2,81% de abril, enquanto o indicador de Matérias-Primas Brutas marcou forte recuo ao sair de uma alta expressiva de 5,78% para apenas 0,43% em maio.
Varejo e Construção Civil: IPC e INCC Acompanham a Desaceleração
O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) registrou alta de 0,61% em maio, vindo abaixo do teto de 0,94% apurado no mês de abril. Dentre as oito classes de despesas que compõem o índice do varejo, três registraram recuo em suas taxas de variação: Transportes (de 2,26% para ‑0,31%), Saúde e Cuidados Pessoais (de 0,95% para 0,64%) e Vestuário (de 0,40% para 0,36%). Em contrapartida, cinco eixos exibiram aumento: Habitação (de 0,46% para 0,95%), Educação, Leitura e Recreação (de ‑0,26% para 0,25%), Alimentação (de 1,15% para 1,30%), Despesas Diversas (de 0,55% para 0,91%) e Comunicação (de ‑0,02% para 0,05%).
Por fim, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) marcou alta de 0,77% em maio, taxa inferior ao avanço de 1,04% registrado em abril. No desdobramento interno dos componentes do INCC, os grupos registraram o seguinte comportamento: Materiais e Equipamentos recuou de 1,40% para 1,08%; Serviços cedeu de 0,97% para 0,50%; e o segmento de Mão de Obra desacelerou de 0,61% para 0,43% na transição mensal.
Insight Analítico da Jade
Sócio, a forte desaceleração do IGP-M para 0,84% afasta temporariamente os cenários inflacionários mais severos no atacado que assustaram as tesourarias em abril. O alívio trazido pelas Matérias-Primas Brutas (de 5,78% para 0,43%) sinaliza que a B3 e os Fundos de Investimento Imobiliário de papel passarão por um momento de acomodação de prêmios nas curvas secundárias de rendimento.